Mostra Brasileira de Design da Informação

Cartilha Educativa sobre o tratamento da hanseníase destinada à atenção primária à saúde do SUS.

Projeto de uma Cartilha informativa e educativa destinada a pacientes com hanseníase atendidos pelo SUS. O projeto foi realizado em parceria entre o Laboratório Inky Design (FAAC/Unesp) e o Instituto Lauro de Souza Lima. O Design proposto buscou soluções para melhorar comunicação e engajamento dos pacientes no tratamento. Optou-se pela dupla função do produto, que também funciona como um porta medicamento. A cartilha foi testada por pacientes e profissionais de saúde.

Autores

  • Erick de Alencar Santos Ruiz
  • Jhefferson Canuto
  • Geraldo Bosco Bottaro
  • Cassia Leticia Carrara Domiciano

Cliente

Instituto Lauro de Souza Lima

Ano

2022-2023

Qual era o desafio?

A equipe de design foi procurada com o seguinte desafio: buscar soluções em comunicação e informação para o alto índice de abandono do tratamento da hanseníase apresentado pelos pacientes e as deficiências apontadas em materiais já existentes. O produto integraria um projeto de pesquisa em andamento na instituição. O conteúdo seria desenvolvido pelos pesquisadores mediante a natureza do material que seria proposto. O levantamento de problemas junto aos pesquisadores apontou que a doença, apesar dos estigmas que carrega, tem cura diante de um tratamento que dura de 6 meses a um ano e que deve ser rigorosamente seguido e completado para o sucesso. O medicamento empregado é fornecido gratuita e mensalmente em unidades de saúde pública, as UBSs, para pacientes diagnosticados e o acompanhamento de profissionais de saúde ocorre de forma regular durante todo esse período. Não há retirada de medicamentos sem a realização de consulta. O uso de materiais didáticos sobre o tratamento da hanseníase pode auxiliar os profissionais a dialogarem com os usuários, a fim de realizarem um tratamento completo e bem-sucedido. O público atendido apresenta um perfil de baixa renda e baixo letramento em saúde, ou seja, dificuldade de leitura e entendimento de informações complexas relacionadas à sua saúde.

Qual foi a solução?

Após algumas reuniões entre equipe de pesquisadores do hospital e a equipe de designers e inúmeras pesquisas sobre o desenvolvimento de estratégias e materiais educacionais inseridas na área do Design da Informação e Design Gráfico Inclusivo, optou-se pelo uso de uma cartilha física e de dupla função, onde as informações deveriam acompanhar o medicamento de tomada diária de forma fácil e intuitiva. Após verificar o perfil dos pacientes atendidos, optou-se por desenvolver uma cartilha educativa, contendo informações em linguagem simples, organizadas com perguntas e respostas elaboradas pelos autores especialistas do HLSL. O design da informação contribuiu nas escolhas gráficas, visuais e funcionais da peça. A cartilha também funciona como um porta-medicamentos, função contemplada pela presença de aba, cortes e encadernação peculiares. As principais soluções gráficas são apontadas a seguir: 1) Uso de cores diferentes para discriminar cada tema abordado; 2) uso de ilustrações e infografias que facilitem o entendimento dos dados e das ações necessárias por parte dos pacientes para iniciar e completar seu tratamento; 3) uso de tipografias grandes, legíveis e contrastantes, considerando-se também fatores de inclusão de público com habilidades diversas; 4) definição de espaços para personalização, onde cada paciente poderá usar sua cartilha para acompanhar as consultas mensais, com possibilidade de anotações próprias ou dos profissionais de saúde; 5) definição de um formato exclusivo e confortável para manuseio e armazenamento, onde a cartela de medicamentos ganhou um espaço no produto para manter-se sempre junto à informação. Lançou-se mão de processos de produção gráfica, como dobras, cortes e encadernação para criar tal funcionalidade; 6) uso de um acessório informacional: adesivos que permitem anotar nas cartelas mensais de medicamentos o dia de início da tomada dos comprimidos, uma vez que as informações da cartela original estão na língua inglesa. Reforça-se que, além de informar, a cartilha tem também a função de engajar o paciente no tratamento, que tem duração de um ano e não pode ser interrompido para que haja cura. Assim, a cartilha também contém áreas personalizáveis, que estimulam sua utilização mensal para anotações das consultas (quando o paciente pega uma nova cartela de medicamentos em uma unidade básica de saúde gratuitamente) e principalmente sua utilização diária, como um porta-cartelas. As informações de uso diário e imediato, como a dose necessária, ficam junto á cartela. Essas novas funções só são viáveis graças ao projeto gráfico inovador desenvolvido.

Quais foram os resultados?

Em 2022 uma primeira versão da cartilha foi impressa (tiragem de 100 exemplares) e enviada para equipes de saúde, cujos profissionais atuam na assistência da rede de atenção básica em hanseníase. A equipe de pesquisadores do ILSL conduziu um estudo a partir desta experiência, executado em três fases: 1) preparação - seleção e convite aos avaliadores; 2) coleta de dados e interpretação; 3) concretização e descrição dos resultados. A coleta consistiu na aplicação individual de um questionário com 23 perguntas fechadas e abertas, com questões relativas ao design e ao conteúdo usados na construção da cartilha. As docentes orientadoras do Inky/Unesp colaboraram na montagem da ferramenta metodológica de coleta, o questionário. Alguns relatos dos profissionais foram valiosos e resultaram em alterações na cartilha quanto a alguns conteúdos verbais e visuais. 23% do total dos participantes fez sugestões quanto ao conteúdo sobre o tratamento da hanseníase (conhecimento sobre o uso de medicamentos e da cartela de comprimidos, aquisição, armazenamento da cartela de medicamentos etc.). Na avaliação dos parâmetros de organização das informações (anotações dos profissionais, doses supervisionadas, dados pessoais e clínicos e armazenamento da cartela), uma média de 30% dos participantes sugeriram alterações. Na avaliação dos elementos visuais (figuras e formato da cartilha), uma média de 35% dos participantes apresentou sugestões. Todo material coletado na pesquisa de campo foi avaliado pelos especialistas do ILSL e pela coordenação do projeto de design (Inky/Unesp) e mudanças foram acordadas. Uma versão final da cartilha foi impressa em 2023, trazendo alterações textuais e algumas novas ilustrações. A estrutura inovadora do produto e seus mecanismos de interação não foram alterados. A cartilha aguarda produção e aplicação em larga escala.

Equipe

Do Laboratório Inky Design: - Erick de Alencar: projeto gráfico e diagramação; capa e ilustrações - Jhefferson Canuto: projeto gráfico e diagramação - Geraldo Bottaro: projeto gráfico e diagramação - Dra. Cassia Letícia Carrara Domiciano: coordenação gráfica e editorial - Dra. Fernanda Henriques: orientação Do Instituto Lauro de Souza Lima (autores do conteúdo cartilha) Dra. Ana Carla Pereira Latini, Dra. Andréa de Faria Fernandes Belone, Ms. Daniele F. de Faria Bertoluci, Dr. Dejair Caitano Nascimento, Ms. Suzana Madeira Diório, Dra. Patrícia Sammarco Rosa, Dra. Renata Bilion Ruiz Prado